Quero lhes contar de um trecho inicial desse livro, onde comenta-se de uma eleição para música tema da cidade, promovida por uma emissora local. Ganhou "Trem das Onze", do Adoniran, seguida por "Sampa", do Caetano.
O autor nota que nenhuma destas músicas realmente exalta a cidade. Em "Trem das Onze", a cidade é mero cenário, o sujeito desculpa-se com sua mulher, tem de pegar o trem e sua mãe não dorme enquanto ele não chegar. Em "Sampa", minha favorita, "alguma coisa acontece" no coração do compositor, e isso não necessariamente é bom. O resto dos versos continuam duvidosos enquanto elogios.
Se a cidade fosse o Rio, por exemplo, sobrariam qualidades. "Cidade maravilhosa", "encantos mil", "continua lindo", etc. Mas não é o caso, e penso que essa é mesmo a sensação que esta cidade confere aos seus habitantes: um sentimento ambíguo, uma incerteza se é bom ou é ruim.
Eu amo São Paulo. Sou paulistano com um orgulho injustificável. Essa cidade vicia, não sei explicar. O Leo me disse uma vez que era "uma coisa meio sadomasoquista", concordei muito.